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Licenciaturas perderam 13,5% dos concluintes em dez anos; educador de São João do Arraial deixou de ser garçom e concluiu curso superior

Segundo o Instituto Semesp, o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025, enquanto o de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%

Vanilson Medeiros
Por: Vanilson Medeiros Fonte: Viviane Ferreira- Assessoria Comunicação ALFA E BETO
16/10/2026 às 10h35
Licenciaturas perderam 13,5% dos concluintes em dez anos; educador de São João do Arraial deixou de ser garçom e concluiu curso superior

O Brasil enfrenta um desafio para renovar seus professores. Entre 2015 e 2025, o número de docentes do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o número de professores com 60 anos ou mais aumentou 104,5%. Mantida essa tendência, haverá, em 2040, um professor de até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais. Os dados são da segunda edição da pesquisa Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil, do Instituto Semesp.

Os números ajudam a dimensionar o desafio, mas não contam todas as histórias que levam alguém à sala de aula. Às vésperas do Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a trajetória de Márcio Manoel Mesquita da Silva, de São João do Arraial, no Piauí, mostra um caminho diferente para chegar à profissão. Antes de ser professor, trabalhou em bares, restaurantes e lanchonetes. No fim de 2001, recebeu um convite para dar aulas porque havia necessidade de professores. Mais de 20 anos depois, continua na sala de aula. 

Um convite que mudou o caminho profissional

Márcio concluiu o Ensino Médio no Piauí, foi para Brasília e trabalhou em bares e restaurantes. Ao retornar ao estado, continuou com a atividade até surgir a oportunidade de um trabalho fixo. Foi quando apareceu o convite para entrar na educação. “O que me motivou na profissão? Na verdade, eu não escolhi a profissão de professor. Fui chamado para trabalhar como professor porque estavam precisando, isso ocorreu no final de 2001”, afirma. 

A oportunidade acabou se transformando em carreira. Depois do convite, Márcio iniciou a Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Sua trajetória ocorre em um momento em que a formação de novos professores também é um desafio: entre 2015 e 2024, o número de concluintes de cursos de licenciatura caiu 13,5% no país, segundo o Instituto Semesp.

Hoje, professor do 4º ano, Márcio trabalha com diferentes conteúdos e destaca a Matemática entre aqueles de que mais gosta de ensinar. O que mais o anima, porém, é perceber como esse trabalho chega aos estudantes, especialmente quando os resultados aparecem nas avaliações externas. “O que mais gosto de ensinar são os conteúdos do componente curricular de Matemática e fico muito feliz quando vem o feedback dos alunos, principalmente nas avaliações externas”, comemorou o professor. 

Ao longo de mais de duas décadas, o desempenho dos estudantes também se tornaram parte das lembranças que guarda da profissão. Ele cita desde competições e avaliações nacionais até o sistema estadual do Piauí.

“Tive momentos marcantes durante a minha trajetória de professor, tanto de forma positiva, quando os alunos se destacam em avaliações externas, como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e as Olimpíadas de Língua Portuguesa, além do Sistema de Avaliação Educacional do Piauí (SAEPI) e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), quanto de forma negativa, quando alguns alunos não conseguem evoluir devido a vários aspectos”.

Um trabalho mais estruturado

Na rede municipal de São João do Arraial, o Instituto Alfa e Beto (IAB) atua desde 2024, contribuindo para o trabalho desenvolvido em sala de aula. Com mais de 20 anos de trajetória, o Instituto é referência nacional em soluções educacionais baseadas em evidências científicas.

Para Márcio, a organização oferecida pelo Ensino Estruturado ajuda o professor no planejamento e cria um percurso mais definido para o desenvolvimento das aulas.“O método do Alfa e Beto contribui muito nesse processo de ensino-aprendizagem, pois o programa oferece um currículo completo e estruturado que organiza as atividades do professor em sala de aula, facilitando o planejamento e a execução das aulas. Com isso, tudo elaborado de forma prática leva os estudantes a desenvolver seu pensamento e uma melhor compreensão sobre o assunto de cada unidade e dos temas propostos”. 

Depois de mais de duas décadas na educação, Márcio reconhece que a profissão exige preparo, dedicação e paciência para lidar com os desafios que surgem no cotidiano escolar.“Para quem está começando agora a carreira de professor, eu diria que vai precisar de muita dedicação e paciência para lidar com os diversos desafios que aparecem ano após ano. Apesar das dificuldades, é muito gratificante para a nossa profissão”, finalizou. 

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